Algumas bandeiras são feitas de trapos.
Autor: Paulo Francis

 

Positivo

 

Negativo

 

Perguntar não ofende

 

Vale a pena conferir!

 

Opinião do Leitor

 

23/06
Publicado às 13:17

Acho que era saudade!

Três da madrugada.
Acordo sobressaltado.
No quarto ao lado, ouço meu filho chamar.
Vou até ele.
Sensação de cansaço.
Certa dose de desorientação toma conta de mim.
Tropeço num carrinho.
Um gracioso fusquinha de brinquedo que estava no caminho.
Acendo a luminária.
Quando o vejo, está sentado.
Cara de choro.
Uma singela lágrima tinha acabado de lhe percorrer a face.
Será fome?
Frio?
Pesadelo?
Algum mosquito?
Não sei!
Ele me vê.
Em um segundo se apóia sobre a grade do berço.
Fica de pé.
Estica os braços na minha direção e abre um simpático sorriso.
Hora de segurá-lo.
Pergunto se está tudo bem.
Ele não responde absolutamente nada.
Encosta a cabeça no meu ombro, fecha os olhinhos e dorme.
Ao dormir, segura meu polegar com toda a sua força.
Acho que era saudade.
- Durma bem, meu bebê!
Postado por Fabian Saraiva




Comentar | [1] Ler comentário | Indicar a um amigo
23/06
Publicado às 11:29

O álibi perdido

 

Alguns governos perderam uma boa chance de usar os efeitos reais da crise mundial como álibi para fazer ajustes necessários  na maquina pública ou como anteparo para as cobranças de sempre.
Quem, no início da crise, apostou no discurso precipitado de desdenhar os problemas e de pregar saúde financeira a toda prova, está hoje em sérios apuros, colecionando perdas financeiras e prejuízos retóricos.
Qualquer manual de orientação política diz que, diante da crise, os governos só têm duas saídas razoáveis.
(1) Ou se super-dimensiona as dificuldades para, a posteriori, valorizar as soluções; (2) ou se encara as coisas como ela na verdade são.
O que não dar para fazer é olhar para o leão como se ele fosse um gatinho.
O presidente Lula só fez isso no início porque queria evitar que uma situação de pânico paralisante se instalasse sobre a nossa economia.
Foi uma posição justificável diante da conjuntura brasileira.
Outros governantes, porém, não podiam ter feito isso de jeito nenhum.
Na política, a melhor opção é sempre se vitimizar ou ser realista.
Subestimar os fatos costuma ser muito perigoso.
Postado por Fabian Saraiva




Comentar | [0] Ler comentário | Indicar a um amigo
23/06
Publicado às 11:03

Esquizofrenia política

 

É comum as pessoas confundirem o conceito de “opinião pública” com o de “opinião publicada”.
Em regiões onde a imprensa não possui grande liberdade, é comum vermos as pessoas interpretarem o que é dito pelos meios de comunicação como sendo o sentimento da maior parte da população.
Desta confusão, surge uma espécie de esquizofrenia que atinge - em primeiro lugar - os analistas políticos.
É como se eles passassem a se debruçar sobre a realidade, não das ruas, mas dos jornais e dos noticiários.
Como conseqüência desse processo, os palpites terminam por se descolar do mundo fático, gerando situações que vão ser desmistificadas somente no período eleitoral.
Conheço dois ou três casos que se enquadram perfeitamente nessa análise.
Postado por Fabian Saraiva




Comentar | [0] Ler comentário | Indicar a um amigo
23/06
Publicado às 11:01

Os porquês da rejeição

 

Os índices de rejeição obtidos por Dilma nas últimas pesquisas de opinião pública falam mais do que o seu próprio crescimento.
Mesmo estando distante da eleição, o PT precisa começar a se preocupar com isso.
Um bom ponto de partida talvez seja averiguar quais os fatores que provocam esta rejeição.
Meu palpite é que ela ou é efeito colateral do esforço que foi feito para tornar a Ministra conhecida, com excessos em relação ao PAC e a sua própria situação de saúde; ou é o retrato da rejeição que qualquer candidato do PT, com exceção de Lula, automaticamente possui.
Dependendo do caso, os remédios a serem ministrados são diferentes.
Se a rejeição de Dilma for a rejeição do PT, é hora de descolá-la do partido e aproximá-la de Lula e da sua própria história.
Se a rejeição, por outro lado, for conseqüência do trabalho para torná-la conhecida, a melhor solução seria abandonar os artificialismos e vincular a Ministra tão somente a elementos sólidos.
Ser a mãe do PAC só vai ser bom se o programa estiver a mil por hora. Dramatizar um problema de saúde é algo que pode se revelar extremamente desastroso.
Postado por Fabian Saraiva




Comentar | [0] Ler comentário | Indicar a um amigo
22/06
Publicado às 11:34

Obama e o Irã

 

Muitas pessoas têm criticado a postura pouco incisiva do Presidente Barack Obama diante dos conflitos que tem ocorrido no Irã.
A minha impressão é absolutamente contrária a essa.
Se Obama adotasse uma postura mais enfática contra o regime dos Aiatolás, poderia terminar por gerar um efeito contrário ao desejado.
Qualquer manifestação mais áspera dos Estados Unidos no atual momento pode terminar é por fortalecer Ahmadinejad e sua turma de repressores.
Além disso, não está claro para ninguém o que, por ventura, passa na cabeça de Mousavi e dos seus aliados.
Apostar todas as fichas nele nesse momento  - transformando-o num Mandela iraniano - poderia ser extremamente perigoso.
O caminho mais curto para a explosão da teocracia iraniana, provavelmente, reside nas contradições internas do próprio Irã.
Deixar que estas contradições venham à tona, sem interferência externa alguma, talvez seja a estratégia mais adequada para a situação.
Erra (e erra feio) quem pensa que os Iranianos estão protestando tão somente em função das fraudes no processo eleitoral.
O cerne da combustão, sem dúvida, é muito mais complexo.
Mais do que as fraudes, o que está incomodando boa parte do Irã é o anacronismo do seu próprio sistema político. Obama sabe disso!
Postado por Fabian Saraiva




Comentar | [0] Ler comentário | Indicar a um amigo
21/06
Publicado às 20:58

Duas mancadas

 

Lula tem vivido um momento extremamente favorável. Mas, na semana passada, terminou se precipitando e dando duas grandes mancadas.
A primeira, claro, foi passar a mão na cabeça de Sarney.
Pegou mal dizer que o atual presidente do Senado não pode ser tratado como um homem comum.
A segunda, foi a tomada de partido na questão iraniana.
Ahmadinejad não merecia afago algum.
Os conflitos que eclodiram em Teerã são muito mais complexos do que se podia supor.
Nos dois casos, Lula se equivocou simplesmente por adotar uma postura de mero pragmatismo.
Entre a opção difícil de colocar o dedo na ferida desses dois casos e a opção fácil de não desagradar “aliados”, Lula preferiu o caminho - aparentemente - menos traumático.
Terminou pisando na bola e perdendo uma boa chance de ficar calado.
Sua sorte é que a oposição, incompetente como nunca, não sabe sequer o que fazer com estes tropeços.
O nosso presidente pode continuar sorrindo!
Postado por Fabian Saraiva




Comentar | [0] Ler comentário | Indicar a um amigo
21/06
Publicado às 19:01

Teu mal

 

Por que insistes em jogar lama sobre os meus predicados?
Será que, de fato, ganhas alguma coisa lançando inverdades sobre mim?
Tua sede de destruição não há de resultar em nada.
As mentiras que tens dito não vão me impedir de caminhar.
 
Um homem decidido a provar o seu valor é capaz de encontrar motivação no inferno.
Enquanto pensas que caí, saibas que estou tão somente deixando a poeira baixar.
A guerra, invariavelmente, é composta por muitas batalhas.
Não se deixes iludir por uma vitória efêmera.
 
Ser queres saber, te digo com franqueza:
O teu mal é ser medíocre!
O seu destino é tentar negar em mim as virtudes que querias em ti.
Que pena precisares da minha vida para viver a tua!
Postado por Fabian Saraiva




Comentar | [0] Ler comentário | Indicar a um amigo
21/06
Publicado às 06:48

A dama do lotação

 

 
Se quiseres, desço contigo e prometo ser tua até a alma.
Quero resfriar o fogo que me consome as entranhas.
Perder-me numa culpa vadia, despudorada e indecente.
 
Cansei-me da vida sem graça,
Da espera chata,
E da placidez inocente.
 
Chega de fingir ser um anjo.
Antes viver uma hora de pecado que me enterrar viva,
Com as mãos sobre o peito e o rosário entre elas.
Postado por Fabian Saraiva




Comentar | [1] Ler comentário | Indicar a um amigo
20/06
Publicado às 20:08

Aquilo que quero!

 

Queria poder ir para um mundo distante.
Servia-me um vale bucólico.
Repleto de lirismo e deserto de barulho.
 
Queria poder sorrir da forma como sorria antes.
Ver a graça das coisas simples.
E enxergar as belezas que a rotina me nega.
 
Queria gritar aos quatro cantos meu amor à liberdade.
Serrar, uma a uma, as grades que me prendem,
Deixando para traz tudo, precisamente tudo, o que não me agrada, mas que tolero.
 
Queria poder sentar na grama.
Tirar os sapatos.
Jogá-los longe.
 
Queria afrouxar a gravata.
Fechar os olhos.
Perder a hora.
E, finalmente, dizer:
Basta!
 
Um basta comedido.
Suave!
Mas, ainda assim, um basta!
Postado por Fabian Saraiva




Comentar | [0] Ler comentário | Indicar a um amigo
16/06
Publicado às 19:03

A nova piada Chavista

 

Hugo Chavez é uma piada!
Vocês devem ter visto a última dele.
Na semana passada, analisando a compra de ações da GM pelo governo americano, ele disse que – do jeito que vai – Obama vai terminar à esquerda dele e de Fidel.
Obama, claro, não deu a mínima para Chávez.  
A Propósito, o correto seria que ninguém desse a menor bola para o presidente venezuelano.
Eu mesmo me sinto meio tolo quando me pego pensando ou escrevendo sobre alguma coisa relacionada a Hugo Chávez.
Se perco algum tempo com ele, é simplesmente por uma questão, digamos, de didática.
Chávez, como perfeito representante do idiota latino-americano, sempre nos dar algum exemplo de como não devemos pensar, falar ou agir.
A opinião dele sobre a questão da GM é uma boa mostra disso.
Ao dizer que Obama está fazendo com a GM o mesmo que ele fez na Venezuela com dezenas de empresas, Chávez está, tão somente, dando um mais um trambique intelectual.
Quem se deixar iludir por essa conversa fiada, está frito!
Não tem como se comparar a compra de ações da GM pelo governo americano com diversos os confiscos que foram praticados por Chávez na Venezuela.
As diferenças são muitas e, na sua maior parte, deitam raízes na natureza das coisas.
Ao injetar dinheiro público na GM, Obama buscou, não destruir, mas, sim, garantir empregos e fortalecer a economia de mercado nos EUA.
Ele não fez isso por imaginar que o setor público tem melhores condições de administrar a GM que o setor privado.
Obama tanto não acha isso que, assim que puder, devolverá a GM ao mundo privado.
Alguém pode até questionar o ato do governo americano sob o argumento de que não faz sentido se investir numa empresa obsoleta e superada como a GM.
O que não se pode - de maneira nenhuma - é equiparar o salvamento da GM com as estatizações venezuelanas.
Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Se tem, é apenas na cabeça do hilário Chapolim.
Postado por Fabian Saraiva




Comentar | [0] Ler comentário | Indicar a um amigo
15/06
Publicado às 20:27

Declaração de voto

 

Eu estou decidido. Pode chover canivetes. Se Mangabeira Unger for candidato à presidência da República, voto nele e está acabado.
Confesso, sem cerimônia, que nunca fui nada simpático à conversa fiada do voto útil. Voto para mim é coisa séria. Uma questão de consciência.
Tenha ou não chances de vencer a disputa, voto em Mangabeira por uma questão bem simples: há uma enorme agenda de reformas que precisa ser executada no nosso país e,  na minha avaliação, nenhum político “estritamente brasileiro” conseguirá cumprí-la.
Gustavo Franco tem um belo artigo escrito sobre essa agenda.
Neste artigo, publicado em 2001, ele diz que a agenda reformista e modernizante do Estado brasileiro foi feita apenas pela metade. Questões importantes deixaram de ser enfrentadas. Fernando Henrique não fez este enfrentamento. Lula, por mais que tenha boa vontade, também não fez, nem fará.
Se há um mal crônico na política brasileira, é o que chamarei aqui de ATRAÇÃO FATAL E IRRESISTÍVEL PELA ZONA DE CONFORTO.
O político brasileiro - de todas as épocas e tendências - só consegue transitar nos exatos limites desta zona. Tudo o que por ventura ultrapasse este zoneamento é rejeitado.
Os nossos políticos na sua imensa maioria são imediatistas e loucos pela tal da popularidade.
Praticamente não existe na história do Brasil nenhum caso de governante que tenha preferido deixar de agradar a opinião pública num determinado momento para fazer o que de fato precisa ser feito.
Se alguém fez isso, o fez somente em um contexto de crise.
A culpa por essa situação, acuso, não deve recair somente sobre os ombros dos políticos e dos gestores públicos.
A própria sociedade brasileira, por si só, é imediatista e avessa a todo e qualquer projeto de longo prazo. Preferimos a cultura do jeitinho e do arranjo, a balela da harmonização, ao enfrentamento concreto dos nossos problemas. Mangabeira Unger, verdade seja dita, não! Isso o torna diferente! Isso o torna interessante para o Brasil! Por mais que não queiramos ver ou ouvir!
Postado por Fabian Saraiva




Comentar | [0] Ler comentário | Indicar a um amigo
07/06
Publicado às 19:16

A força das Instituições

Vejam o que está acontecendo na Inglaterra. Depois das revelações feitas sobre os gastos dos parlamentares britânicos, as coisas se complicaram por lá.

Primeiro, houve a renúncia de Michel Martin, presidente da Câmara dos Comuns. Depois, houve a queda de vários ministros de Estados. Parecia uma filinha de dominós!
Agora, o próprio Gordon Brown, o antes todo poderoso Primeiro-Ministro britânico, corre o risco de perder a cadeira.
Convenhamos que a caçada empreendida pela imprensa e pela própria opinião pública britânica é de fazer inveja.
Se fosse no Brasil, Brown e seus colegas de parlamento estariam absolutamente tranqüilos.
As coisas aqui, como se sabe, giram numa freqüência bem diferente. E não vale o argumento cafona, simplista, de que isso se dá pelo fato dos ingleses possuírem uma moral superior à nossa.
O próprio escândalo que está abalando a Grã-Bretanha é a prova mais eloqüente de que não há grandes diferenças entre a moral tupiniquim e moral inglesa.
Verdade seja dita, quem tem razão mesmo é filosofo John Gray.
Em Cachorro de Palha, uma das mais provocantes e perturbadoras obras do pensamento contemporâneo, Gray argumenta que praticamente inexiste diferenciação moral entre os humanos.
Assim sendo, não haveria para ele diferença alguma entre a ética de brasileiros e britânicos, entre a ética de gregos e troianos.
O homem, a seu ver, é sempre o homem. Pouco importa o local ou a época onde ele, por ventura, viva ou tenha vivído.
O homem da atualidade, por exemplo, é o mesmo homem que crucificou Cristo ou que levou milhares de mulheres à fogueira.
A natureza humana tem uma leve tendência à imoralidade, à guerra, à destruição e à morte.
O que faz com que tenhamos modos e condições de vidas diferentes ao longo do planeta e dos tempos não é, nem poderia ser, as particularidades dos seres humanos de cada nação e de cada período, mas, sim, a força das instituições que conseguimos erguer.
Não cabe aqui o raciocínio singelo, mecânico, burocrático, de que as instituições são frutos das virtudes e dos defeitos dos homens de uma dada região.
Dizer isso é como dizer que o todo é sempre igual à soma das partes, o que, sejamos sincero, nem sempre é verdade.
Deixando de rodeios e indo direto ao ponto, o quero dizer é que uma determinada nação só se perde ou se salva pela força e pela credibilidade das suas instituições.
POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, NÃO SÃO OS HOMENS QUE FAZEM AS INSTITUIÇÕES, MAS AS INSTITUIÇÕES QUE FAZEM OS HOMENS.
Nações com instituições vulneráveis saem dos momentos de crise fragilizadas.
Nações com instituições fortes, por sua vez, costumam sair ainda mais fortes dos momentos de dificuldades.
Será que alguém dívida, por exemplo, que o parlamento inglês será melhor na próxima legislatura, especialmente depois que os líderes dos partidos britânicos disseram que os parlamentares que se meteram em falcatruas não receberão mais legenda para se candidatar nas próximas eleições?
Por outro lado, quem é que pode garantir que o Congresso brasileiro será melhor na próxima legislatura?
Eu, sinceramente, não vejo absolutamente nada que nos aponte este destino.
O nosso Congresso hoje é praticamente o mesmo Congresso de 20 anos atrás!
Nada de importante mudou e, mantidas as regras básicas do nosso sistema eleitoral, sobretudo no que se refere à questão do financiamento de campanhas, nada de importante mudará!
Postado por Fabian Saraiva




Comentar | [0] Ler comentário | Indicar a um amigo
04/06
Publicado às 09:32

Feito Pelé

 

Não há um único tucano no país que não tenha se arrepiado todo com as declarações do presidente Lula rechaçando por completo a tese do terceiro mandato.
Imagino que, de saída, eles podem até ter gostado desta história.
“Se Lula não for candidato”, devem ter dito, “barbada! Ganhamos a eleição”.
Em seguida, os que pensam, devem ter raciocinado um pouco sobre o simbolismo do ato do nosso presidente.
Ao dizer que não brinca com a democracia e que não aceita em hipótese alguma a balela do terceiro mandato, Lula, de fato, afirmou-se como estadista.

Na verdade, ele fez bem mais do que isso!

Nivelou-se por cima!

Disse que não é um Chávez. Que não é um Morales. Nem muito menos um Fidel.

E, como se isso não bastasse, terminou indo mais longe: mostrou - por A mais B - que o Brasil não é uma republiqueta latino-americana, uma pátria que não sabe o real significado das expressões democracia ou República.

Negando a tese do terceiro mandato, Lula terminou se fortalecendo ainda mais. O fortalecimento pode até não ser imediato, mas ocorrerá. Certo como dois mais dois são quatro.

Se Lula topasse disputar nova reeleição já em 2010, poderia até vencer a disputa, mas perderia muito do seu encantamento, dando a oposição o que ela talvez mais precise: discurso!

Sou capaz de imaginar tucanos e democratas de todas as cores e plumagens bradando, em alto e bom som, que Lula seria um golpista igual a todos os outros golpistas latino-americanos, vivos ou mortos, se, por ventura, aceitasse essa nova disputa presidencial.

Sem essa candidatura, DEM e PSDB voltam à estaca zero.

Permanecem falando, falando, e nada dizendo. Falando, falando, e não comunicando absolutamente nada.

Lula, por outro lado, ao aceitar sair de campo - provavelmente, feito Pelé, num momento positivo - consolida ainda mais sua imagem e termina fazendo o que os narradores do passado chamariam de belíssimo gol de placa.

Bom para ele, é verdade! Bom para Dilma, sem dúvida! Ótimo para o Brasil.

Será que a oposição agiria da mesma forma ou, ao menos, o parabenizará por isso?
Postado por Fabian Saraiva




Comentar | [0] Ler comentário | Indicar a um amigo
02/06
Publicado às 19:29

Viva o gordo!

O retorno de Ronaldo ao futebol brasileiro foi um dos grandes acontecimentos da vida de Alfredo. Não que ele tivesse sido futebolisticamente tocado pelo regresso do fenômeno. Na verdade, Alfredo pouco se importava com Futebol e, ainda menos, com os destinos do Corinthians.

Na sua infância, na sua adolescência, Alfredo nunca chegou sequer perto de uma bola. Enquanto seus amigos de colégio disputavam à tapa o direito de bater uma bolinha nos intervalos das aulas do colégio, Alfredo caminhava, decididamente, para a cantina da escola.
A única coisa que Alfredo seria capaz de disputar à tapa era um bom sanduíche. Um, não! Um, jamais! Em poucos minutos, Alfredo era capaz de comer, de devorar, de dilacerar, de matar e de morrer por vários sanduíches.
Sua família, particularmente sua mãe, tinha o maior orgulho do apetite voraz do filho. Vocês não imaginam a satisfação que ela sentia quando alguém fazia menção à gordura excessiva do seu menino.
Desafiando todas as leis médicas e romantizando um bocado a coisa, Dona Alfredina, sempre que podia, dizia, em alto e bom som, a plenos pulmões, que o gordo, sim, era que tinha nobreza de caráter e de coração. “Não conheço nenhum gordo”, afirmava, “que tenha abandonado sua mãe na velhice ou que tenha sido condenado por um crime bárbaro”.
Alfredo, acostumado com a sua situação, fazia questão de passar ao lado dessa discussão. O mais correto, talvez, seria dizer que ele passava ao lado de absolutamente tudo na sua vida.
Era o que se pode chama de um homem solitário. Vivia só! Absolutamente só! Não tinha amigos. Nunca havia nem mesmo flertado com alguma garota. A mera possibilidade da presença feminina o angustiava. Sua rotina era de uma monotonia angustiante. Já com 22 anos, freqüentando o curso de filosofia, Alfredo alternava seus dias entre a faculdade e a residência materna.
A sensação de quem olhava a cena de longe era de que Alfredo se sentia um ser humano menor. Sua alto-estima era inversamente proporcional ao seu peso. Como era triste, comia! Como comia, tornava-se ainda mais triste e desgraçado.
Alfredo, de fato, parecia um caso sem solução. Como a mãe tinha pavor de cirurgias e pleno comando sobre os passos do filho, uma redução de estômago estava completamente descartada.
Sendo assim, o destino do rapaz estava selado. Psicólogo algum, na avaliação da vizinhança, seria capaz de dar jeito aquele caso.
Foi aí que apareceu Ronaldo...
Um dia, enquanto esperava pela sua refeição numa determinada lanchonete, Alfredo viu alguns comentaristas esportivos falar horrores do antigo fenômeno. Diziam que Ronaldo estava acabado para o futebol, morto, gordo demais para produzir alguma coisa.
Sentindo-se pessoalmente agredido pelos insultos proferidos contra Ronaldo, Alfredo decidiu passar a acompanhar o noticiário esportivo e a torcer pelo ex-número 1 do mundo.
A cada exibição do fenômeno, Alfredo delirava. Cada gol do centroavante corinthiano era comemorado com um furor insano pelo jovem filosofo.
Na segunda-feira seguinte a conquista do título paulista pelo Corinthians, Alfredo surpreendeu todos os seus colegas de faculdade.
Fugindo (e muito) da sua habitual discrição, ele entrou na sala de aula vestindo uma gigante, uma gigantesca, camisa do clube paulista.
Nas costas, escrito à mão, bem acima do número 9 do seu novo ídolo, podia se ler a seguinte frase: “a genialidade não respeita medidas”.
Atônita com a situação, Helena, sua belíssima companheira de sala, rompeu a cortina de isolamento que os separara por anos e perguntou se havia acontecido alguma coisa.
Alfredo, senhor de si, convicto das suas razões, ciente dos novos tempos, e sem tremer um escasso milímetro, foi direto ao ponto: “Os gordos ressuscitaram. Eu, finalmente, estou vivo. E devo isso ao Ronaldo”.
Postado por Fabian Saraiva




Comentar | [1] Ler comentário | Indicar a um amigo
02/06
Publicado às 07:12

Crônica de Futebol

Para Silas não havia dúvidas: o Palmeiras, o seu amado Palestra Itália, fez, sim, uma boa coisa contratando Obina. Não adiantava ninguém criticar o atacante baiano. Silas estava convicto de suas opiniões. Pouco importava que Obina tivesse passado meses sem fazer um único gol.

É claro que, mesmo do alto de sua paixão, Silas não deixava de reconhecer o óbvio: numa comparação simples, direta, fria e desapaixonada, Ronaldo, o gordo, o fenômeno do rival Corinthians, era, por muito, mais jogador do que a nova contratação alvi-verde.
Silas, em momento algum, questionava esse fato. “Ronaldo tem mais habilidade”, dizia. “Ronaldo impõe mais respeito aos adversários”, reconhecia.
Se fosse técnico da Seleção Brasileira, ele nem hesitaria. Convocava Ronaldo na hora. Mas, como torcedor do Palmeiras, se tivesse que escolher, também não titubearia por um mísero segundo. Contratava Obina e mais ninguém.
Poderiam lhe oferecer Messi, Tevez, Adriano, Pelé, Maradona, Garrincha reencarnado, o diabo a quatro. Todos, inclusive, a preço de banana. “Para o Palmeiras”, garantia, “só havia uma solução: Obina e todas as mazelas”!
Seus amigos, no trabalho, alguns dos quais Palmeirenses, chegaram a se surpreender quando viram Silas feliz com a contratação do ex-atacante do Flamengo. Sabiam que Silas amava mais o Palmeiras que a sua própria pele, mas sempre o tiveram na conta de um homem razoável. Silas vivia e morria pelo Palmeiras, mas nunca deixará de ser um homem sensato.
Aquela manifestação entusiasta de apoio a Obina, de apoio ao seu time, de fato, surpreendia. Nem mesmo a estréia em falso do novo atacante palestrino o abalara.
No dia seguinte ao empate do Palmeiras com o Nacional pela Libertadores, Silas chegou ao trabalho exultante. “O empate foi ruim”, reconhecia, “mas vocês viram o ímpeto de Obina?”
Quando Obina fez o seu primeiro gol com a camisa do novo clube, Silas limitou-se a gabar-se do seu conhecimento futebolístico. Na repartição, fazia pose de quem tinha conteúdo e afirmava: “eu avisei a vocês. Obina é um predestinado!”
Elias, colega de anos e flamenguista doente, não agüentando mais o ar de superioridade do delirante Palmeirense, chamou Silas às falas: “com base no que, meu caro, você está apostando tanto nesse cidadão? Obina é um perna de pau! Não sabe chutar uma bola para o gol!”
Silas, contrafeito com a pergunta e ainda mais com o xingamento que a sucedeu, foi direto ao ponto: “o sucesso de Obina no Palmeiras”, disse, “não tem nada a ver com futebol. Obina podia ser cego de guia e manco das duas pernas que ainda assim seria mais vantajoso para Palmeiras que qualquer atacante do mundo”.
Atônito com a resposta do amigo, Elias perguntou: como assim? Pirou?
Silas fechou o raciocínio: “no futebol, assim como na política e na guerra, só há três figuras capazes de desequilibrar: o gênio, o canalha de pai e mãe e o ex-humilhado. É fato que Obina não é gênio! É fato que Obina não é canalha! Mas, ao que me consta, ninguém foi tão humilhado no futebol brasileiro nos últimos tempos como Obina. Nem Dunga depois da copa de 90 foi mais combatido. Se Obina tiver, duas gotas de sangue dentro de si, pode deixar de ser um perneta para se tornar uma entidade”.
“Obina”, completou, “pode ser a Joana D’Arc do Parque Antartica”.
Será?
Postado por Fabian Saraiva




Comentar | [0] Ler comentário | Indicar a um amigo


1 2 3 4 5 6 7 8 9

Maxmeio Agência de Comunicação Digital